21 de março de 2010
Você é contra a extinção do sistema de cotas?
Sim. O sistema de cotas só faz intensificar as diferenças.
Há coisas que as pessoas não percebem, ou não querem perceber, mas isto aumenta o número de jovens brancos que se sentem injustiçados. Sabem por que? Em suas cabeças eles se matam de estudar, tem despesas com cursos e preparatórios e, quando menos se espera, um candidato declarado negro, muito menos preparado, ocupa a vaga no curso pleiteado.
Falam em dívidas históricas para justificar o sistema de cotas mas não é assim que iremos pagá-la.
Na verdade, o que acontece é que daqui a pouco teremos que ter sistema de cotas também para conseguir um emprego. Alguém se ilude que em uma entrevista de emprego, se ficar comprovado que o candidato é cotista, muito provalvemente ele estará fora da seleção? Ninguém pensa nisto.
Alguém conhece algum cotista que tenha conseguido realmente um bom emprego, à sua altura e à altura do curso que fez? Provavelmente não e, se houver, é exceção.
Então, vamos acabar a hipocrisia. Quem é de estudar vai estudar, não tem jeito. Não precisa de artifícios. Não precisa de assistencialismo, de quem leh passe a mão na cabeça.
Vai lutar para sair do limbo, vai correr atrás, vai ser autodidata, vai buscar a informação, vai pegar livro emprestado, vai frequentar biblioteca, vai estudar até em banco de praça (tivemos um caso assim recentemente de um jovem muito bem sucedido apesar de ser muito, muito pobre).
O Governo tem que mudar a política de Educação preparando desde a infância todos os alunos: negros, pobres, brancos pobres, indígenas, de escolas públicas. Para que não cheguem a se tornar jovens já começando a vida querendo levar vantagens sobre os outros.
Hoje é a cor, amanhã é o lugar onde mora, depois, se é órfão e por aí vai.
Alguém tem dúvida que o sistema de cotas é usado por muita gente como o “velho jeitinho brasileiro para conseguir o que se quer?
Fora as distorções bizarras como foi o caso de dois irmãos gêmeos em que um foi aprovado para as cotas e o outro não. Vai entender.
Chega de hipocrisia e vamos combater o problema como tem que ser combatido: com Educação desde a base.
E tirar da cabeça de uma vez por todas esta tal de dívida histórica. Nós, pelo menos eu, não estou devendo nada a ninguém.
Virgínia Meirim
Seis motivos para ser contra a pena de morte. Até mesmo para assassino de crianças
Faço minhas as palavras do autor, Marcelo Migliaccio.
Sou contra a pena de morte e nunca tinha lido algo que tratasse o assunto com tanta objetividade, amplitude e clareza.
Resposta ao Marcelo Migliaccio sobre sua crítica ao filme A Mulher Invisível
BLOG Rio Acima - Marcelo Migliaccio no JBONLINE
Migliaccio, meu prezado,
Juro que mal acordo venho ler você, adoro seus textos. Nunca comento mas hoje tive que pular: sinceramente, começar o dia com esta coisa baixo astral.... faça-me o favor...
Comédia é comédia e quanto mais despretensiosa for para mim, nestes tempos de angústia, é muito melhor.
Não preciso do cinema para observar as angústias do ser humano e da nossa bonita porém triste e castigada metrópole. Para isto basta ler os jornais todos os dias. Estão todos lá com seus dramas, despesperança, desespero...
Estou em tempo de precisar ver o pastelão, o riso fácil, o riso pelo riso sem maiores questionamentos.
Chega de sair do cinema com aquela obrigação de beber um chopp para discutir o filme em pseudos papos cabeça.
Vamos nos dar um tempo, é possível se engajado sem ser questionador e chato o tempo todo.
E o Selton?Coitado! um grande ator, e você falando mal dele... Saiba que ele, que pode ser dar ao luxo de fazer o que quiser porque já provou em várias filmes e obras que é um dos maiores atores da nova geração... deixa o cara relaxar..
Tem que ser só drama? tristeza? pensamento questionador? gente o óbvio está aí, é só acordar e sair para trabalhar o cinema não tem obrigação de repetir o que se vê todo dia, tanta tragédia.
Às vezes rir um pouco despretensiosamente faz muito bem a alma.
Você está precisando ser mais emoção e menos razão. Precisa resgatar o seu bom-humor. Precisa ver um pouco de graça nas coisas fáceis e fúteis da vida.
"Em que parte do texto está escrito" que para ser bom tem quer ser intelectualóide? relaxa... a Luana é linda, o Selton é ótimo, a Fernada dispensa adjetivos...
E viva a geração shopping center! ou daqui a pouco estaremos todos com saudades dos candieiros e lampiões e morrendo de peste bubôbica....
Abraços fraternos e deixa o sol entrar!
Virgínia Meirim
A TÃO FALADA ESCALADA DA VIOLÊNCIA (voltando ao assunto)
Deixei este comentário na coluna do Marcelo Micliaccio, que admiro muito, do JbONLINE - Rio Acima
O vídeo que vocês podem assistir no link abaixo eu considero uma das maiores campanhas contra a violência que assola a Humanidade.
É uma severa chamada de consciência. Um grande tapa na cara. Porém, é também uma poderosa ferramenta de reflexão.
Nos dias de hoje, com sentimentos de vingança e revolta à flor da pele fala-se muito em “matou tem que morrer, olho por olho” e tantas outras sandices como resposta para a grave crise social que estamos atravessando.
Tenho ouvido e lido depoimentos nas páginas da WEB de arrepiar qualquer um que tenha um mínimo de senso moral e respeito à vida humana.
Vejo tudo com muita cautela por entender que falta ao Homem uma rigorosa revisão do seu próprio código de valores e que, à luz da emoção, nada se consegue de concreto.
Não é hora de se colocar no mesmo cesto o nosso desespero, as nossas reivindicações e os nossos desafetos.
A verdade é que neste país nós só olhamos para o próprio umbigo. O problema do outro será sempre do outro. A solidariedade e o amor ao próximo só aparecem junto com o peru do Natal ou quando o risco começa a ficar bem próximo de nós.
Aí. “Merrrrrrrrrrrrrrrmão” o bicho pega. Vamos todos para a frente do pc digitar, entrar em fóruns, falar, gritar, reivindicar. Vamos às ruas fazer passeatas e levantar a nossa, eu disse nossa, bandeira.
Não demora muito a coisa esfria e vida que se segue! Até que nova tragédia aconteça.
Estamos e um círculo tão vicioso que a violência está dentro de nós. Passamos por cada tragédia como quem passa por uma virose. Ficou bom? Vai em frente! Hoje em dia todo mundo tem virose.
Quando algo PÚBLICO de ruim acontece argumentamos e esbravejamos muito mas, sempre nos colocando à margem do caos social. Tiramos a nossa responsabilidade como se tudo o que acontece por aí não fosse também por culpa nossa.
Afinal, quem somos nós para tentar mudar o que está nos acontecendo? “Isto é problema do governo! Já pago meus impostos para isto! Já faço a minha parte cuidando da minha família e trabalhando duro! Não sou pago para resolver os problemas do mundo, já tenho os meus” , e por aí vai.
A família é a célula do organismo social. Quando esta célula adoece, como está doente neste momento, toda a sociedade adoece. Temos então o cancro social da violência do qual todos nós morreremos um dia.
O Homem por todos estes séculos evoluiu intelectualmente mas não deu a mínima importância ao seu progresso moral. O caminho para a resposta que todos procuram não está nas passeatas, nas velas acesas, não está lá fora, não é um OVNI. Ele está dentro de cada um de nós. Na nossa vontade política de querer mudanças. Está no seio de cada família.
Cada cidadão precisa ter a coragem de fazer um severo inventário moral do que têm sido suas atitudes ao longo destes anos e perguntar a si mesmo de que forma colaborou para que as nossas crianças de hoje se tornassem o que são e se voltassem contra a sociedade a ponto de cometer tantas atrocidades.
Educar já é difícil, dá um trabalho danado. E, ainda por cima, os pais ”mudernos” resolveram ser forever young, dividir o palco com os filhos partilhando roupas, namorados (e namoradas), bebendo e fumando maconha juntos. Aí, caríssimo Marcelo, fica mais difícil ainda.
Todos nós sabemos que o aprendizado se dá por repetição de modelos. Se o modelo não for bom o produto final tem grande chances de ser ruim. Se o modelo for bom e o aprendiz se nega a repeti-lo cabe a cada um de nós enquanto pais, mães e educadores, tomar as rédeas da situação, corrigir, vigiar. E até punir.
Os pais precisam entender que pai é pai, mãe é mãe e amigo é amigo.
O indivíduo tem que acabar com este discurso de que “eu sou o melhor amigo de seu filho”. Ele tem que se preocupar sim em ser o melhor pai e jamais confundir estes papéis porque quando isto acontecer ele vai perder a autoridade. Vai até pensar que tem mas não tem.
Então, o filho que cresceu sendo tratado como um amigo do pai, em quem ele não reconhece figura de autoridade, também não vai reconhecer a figura de autoridade do professor, da propriedade alheia, da polícia, do juiz... O resto vocês já sabem.
Tem que entender que está na hora de descer do palco e deixar o filho brilhar. Deixar de ser o amigão e passar a ser pai. Tem que dar ao filho o apoio, a orientação e o limite que ele precisa. A maioria dos pais não sabe: todo adolescente não fala, mas quer uma família que lhe imponha limites.
Agindo desta forma o indivíduo não apenas será o melhor pai, mas também (por tabela) um amigo. Não aquele “melhor amigo” dos bancos escolares e das escolhas ruins, mas o que segura a mão e mostra a direção certa a seguir.
Mas fica na minha cabeça a pergunta milionária: como ensinar ao seu filho o caminho a seguir se os pais não conhecem o próprio caminho?
O Governo tem culpa pela onda de violência? Nossa, claro que tem! Principalmente quando não se obriga a implantar e acompanhar programas e políticas sociais.
É preciso ficar claro que a incompetência do governo não livra a nossa cara nem tira de nós a parcela de responsabilidade enquanto indivíduos chefes de família responsáveis pelos nossos filhos.
É muito fácil reclamar. Entretanto, é preciso lembrar que não conseguiremos limpar o mundo se estivermos com “a moral toda enterrada na lama”, na voz do poeta.
Virgínia Meirim Coutinho
http://www.youtube.com/watch?v=8MALAyiiexo
ASSISTA E REFLITA. NINGUÉM ESTÁ IMPUNE.
A sorte e a morte de duas famílias

A SORTE E A MORTE DE DUAS FAMÍLIAS
Calma, gente!
Já sei o que vão gritar os justiceiros de plantão: “Por que não levou o bandido para casa?”. Demagoga! Quer aparecer! bla..... blá... bla.....
Sinto muito, não me importo. Eu e essas pessoas jamais teremos o mesmo universo de discurso. Então...
Acabo de ler que a mãe do assaltante que fez uma vítima refém ameaçando a todos com uma granada disse que “a polícia poderia ter esperado”. Vi no seu rosto a expressão da desesperança, da dor e parei para pensar em quem raramente pensamos em situações assim: a mãe do criminoso.
A polícia cumpriu o seu papel. Era uma ação policial e não um espetáculo circense. Por que os aplausos? Há coisas que não consigo entender.
Confesso que ontem chorei por solidariedade sincera à vítima e à sua família. Não há como nomear o desespero daquele momento, a barbaridade que sofreram.
Hoje, sem a menor demagogia, chorei pela mãe do criminoso. Vendo a foto daquela mulher percebi que algo nela despertou algo em mim. Um dia, talvez, eu descubra o quê.
Vejo as imagens do homem abatido a tiro como um animal caçado. Chorei por sua mãe, sim. Imaginei a sua dor quando soube do ato insano e criminoso do filho. Chorei imaginando o que é ver um filho cair com uma bala na cabeça em rede nacional de televisão. E o povo aplaudindo.
Quando assisti as cenas da morte pensei: só quem é MÃE é capaz de medir a dor de ver um filho escurraçado por toda uma cidade querendo a sua cabeça. Mesmo ele sendo um criminoso.
Não vamos julgá-la prematuramente, no calor da emoção, por supostamente ter errado na educação do filho. Será que errou mesmo?
Os jovens de hoje (muito mais do que em todos os tempos) fazem escolhas ruins, muito ruins. Quantas vezes este filho, hoje morto, pode não ter dado atenção aos conselhos daquela mãe?
O cancro da violência está em todas as classes sociais. Está nas escolas. Está nas ruas. Mas, principalmente, está dentro das pessoas.
Se você passear pelas redes sociais pode observar o quanto existe de violência virtual que, bastando um pequeno empurrão, cai no mundo real.
Um adulto equilibrado, pai ou mãe, sabe perfeitamente do que estou falando: apologia ao crime, venda e distribuição de drogas, encontros para brigas de torcidas organizadas ou de gangues, homofobia, sexting, intolerância religiosa, calúnia, agressão a homossexuais e a todas as diferenças, e por aí vai.
O cardápio é grande. Há toda sorte de manifestação de violência. Um verdadeiro cyberbullying.
Acho que deveríamos colocar nossos corações em cima da mesa e, usando apenas o cérebro, fazer um inventário moral do nosso papel de pai ou mãe:
Quantos de nós sabemos o que realmente se passa na cabeça e no coração de nossos filhos com 100% de certeza ?
Quantos de nós temos absoluta confiança em tudo o que sabem e andam fazendo?
Sem hipocrisias, não julguemos aquela mulher.
A polícia fez o que precisava ser feito e a mãe do criminoso está sofrendo. É como sempre digo: uma verdade não exclui a outra.
Mãe nenhuma quer enterrar um filho. Mãe nenhuma quer parir um criminoso.
Acho que foi por isto que entendi a dor daquela mulher.
Por isto não posso julgá-la. Por isto não aplaudi quando seu filho foi abatido.
A questão é ampla, complexa e as soluções não podem ser levantadas no calor da emoção e da revolta.
Bem, é isto.
Abraços fraternos
Virgínia Meirim
Sobre a Lei Anti-fumo
Eu quero ver esta mesma disposição para legislar crimes hediondos.
Eu quero ver esta mesma disposição para legislar sobre os direitos das vítimas de crimes hediondos.Para legislar sobre as penas de autores de crimes hediondos.
Eu quero ver esta mesma disposição para acabar com as mordomias no sistema carcerário.
Eu quero mesmo é ver a coragem deste povo para enfrentar bandidos como aquele deputado nortista que já mandou matar seis testemunhas.
Legislar contra o fumo é mole...
Vamos pensar:
O que é mais conveniente combater?
O fumo?
Ou a seca que mantem o bolsão de miséria do Nordeste e que recheia o bolso de políticos?
Ou os crimes de estupro, sequestro, tráfico de drogas, crime organizado, crimes de colarinhoi branco, latrocínio, abandono de incapaz e afins?
O que realmente dá dinheiro para o governo?
Comater o fumo?
Ou combater os crimes acima?
Na verdade, manter alguns tipos dos crimes acima são do interesse de tantas pessoas...
31 de janeiro de 2010
ANTÔNIO BARRETO - A VOZ DO CORDEL - genial!
residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal...
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal...
FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2010.
19 de janeiro de 2010
Rio Acima - Jornal do Brasil - por MARCELO MIGLIACCIO
A cultura da violência está nas ruas. Cuidado!
18/01/2010 - 14:25 | Enviado por: Migliaccio
Foram apreendidos protetores bucais, paus com pregos nas pontas e um soco inglês, aquele ferro que se encaixa entre os dedos para arrebentar ainda mais a cara de algum infeliz. Da delegacia, os brigões foram liberados para continuarem por aí fazendo das ruas do Rio um deprimente ringue de vale tudo. Pronto, falei a palavra mágica (uma não, duas): vale tudo.
Todos os sábados à noite alguns canais exibem essas lutas absurdas que algum iluminado resolveu chamar de "esporte" para faturar milhões. Vale tudo, Pride, Ultimate Fighting são os inspiradores desses caras que só pensam em... porrada.
Mas a coisa começou bem antes.
O culto à violência inicia-se na infância, com os desenhos animados e filmes cada vez mais violentos exibidos nas TVs aberta e paga. Ai que saudade daquelas lutas inocentes e lúdicas do seriado do Batman dos anos 60... "pow", "bleng", onomatopéias psicodélicas, invadiam o vídeo, substituindo a violência dos golpes fake dados pelos super-heróis naqueles vilões alegóricos como o Coringa, o Chadada e o Pinguim.
Mas, no final dos anos 80, a programação infantil começou a ficar punk. Lembram dos Cavaleiros do Zodíaco? Era um anime violentíssimo, sucedido por outros piores ainda. Os personagens brigavam por nada ou por motivos tão idiotas que a mensagem final era que o negócio era lutar, sempre. Tinha um tal de G. I. Joe, americano, então que era um absurdo festival de truculência.
Paralelamente, a TV foi inundada por programas mundo cão ao cair da tarde: Datena, Ratinho, Marcia, Alborgueti etc. Cenas de violência exibidas sem pudor num horário que antes era ocupado por programas como Capitão Asa e Capitão Furacão, Vila Sésamo e Sitio do Picapau Amarelo.
As pegadinhas cruéis e desrespeitosas de João Kléber, Sérgio Mallandro, Silvio Santos e companhia foram um ingrediente a mais na desconstrução do conceito de fraternidade nas cabeças daquelas crianças. Um desempregado à procura de emprego? Vamos pregar-lhe uma peça e morrer de rir.
Aí, para solapar geral, vireram os reality shows, com suas cenas de tortura em profusão. Vale dinheiro? Então eles topam tudo.
A pá de cal para sedimentar a desesperança e o desapego dessa geração a valores como amizade e e respeito ao próximo e ao bem comum foi tristemente transmitida pelos noticiários de um país marcado pela impunidade de quem pode pagar bons e bem relacionados advogados. Corruptos de colarinho branco à solta e ladrões de galinha lotando presídios.
Em que esses adolescentes poderiam acreditar?
Em porrada!
E assim foi alimentado o intelecto de uma geração para quem a violência foi sempre muito mais eficiente e compensadora que o diálogo.
Fãs dos desenhos animados vão dizer que são apenas desenhos e que quem educa é a família e a escola, e não a televisão.
Em que mundo esses caras vivem?
Outros vão dizer que a liberdade de expressão é sagrada e que qualquer coisa pode ser derramada pela TV na cabeça de crianças em formação.
Discordo, os pais estão ausentes, são relapsos ou ignorantes demais para transmitir palavras de bom senso a seus filhos. Quem educa o Brasil com sua lavagem cerebral onipresente é a TV mesmo, e isso não é de hoje. Agora, ela tem a assessoria brilhante dos games de computador que entretêm as crianças com tiros de fuzil e combates mortais até a alta madrugada.
Aí, dirão que nem todas as crianças assoladas por essa massificação da violência se tornaram pitboys.
Graças a Deus, mas quem se responsabiliza pelos muitos que sucumbiram a essa lavagem cerebral?
Os amantes das artes marciais podem argumentar que lutador consciente só luta em academia e não provoca briga em boates.
Aham...
Acho que a luta livre, embora seja para mim uma aberração da natureza, não pode e nem deve ser proibida, mas teria que ser um espetáculo restrito a maiores de idade, e não disseminado cada vez mais na TV.
Se a rinha de galo é proibida, porque a rinha de homens é incentivada?
E a cultura da violência está aí. Skinheads aprontando em São Paulo, torcidas organizadas a promoverem barbaridades nos estádios e fora deles, casas noturnas transformadas em campos de batalha regados a bebida destilada misturada com energético. As ruas estão cheias de gente como os 25 lutadores de Cordovil, soltos depois de um compreensivo puxão de orelha na delegacia.
Torça para não cruzar com eles na próxima esquina.
Meu comentário:
Marcelo, caríssimo
Bom dia!
Seu texto me lembrou um fato contado por um senhor taxista, daqueles que dá um duro danado para manter a família e não acredita em educação “mudernosa”. Nunca mais na minha vida esqueci aquela conversa.
Falávamos sobre filhos, criação/educação e ele me disse: “quem manda na minha casa sou eu e estamos conversados”. É o tipo de homem que tomas as regras e o controle do que acontece em sua casa e com os que nela moram e não terceiriza responsabilidades. Vamos dizer que ele é daqueles que acham que “quem dá o pão dá o ensino”.
Este senhor cria um sobrinho desde pequeninho, é um filho. O tal é agora um adolescente e é aí que a história começa. Nas palavras do taxista (na medida do possível):
Em uma sexta-feira o sobrinho-filho tomou banho, se arrumou todinho, o tio-pai deu o dinheiro para as despesas de praxe e saiu com os amigos. Na manhã seguinte, chegou todo arrebentado e com a roupa toda rasgada. O tio-pai taxista pressionou e o garoto argumentou que foi assaltado (1ª mentira).
Na sexta-feira seguinte, o mesmo ritual: banho, roupa nova e dinheiro do titio-papai. No sábado seguinte, novamente, chegou aos trapos em casa com a cara toda arrebentada. Pressionado, avisa que tinha sido pego de surpresa em uma briga de boite (2ª e última mentira porque o taxista não dá terceira oportunidade).
O tio-pai espremeu, espremeu e espremeu até o garoto-que-pensa-que-a-gente-não-conhece-mentira confessar. O tio-pai é macaco velho, senhor de idade, e ainda por cima trabalha na noite levando e trazendo Deus e o mundo. Não vive de “historinhas”. Foi quando o aborrecente-idiota-e-que-sempre-vai-na-conversa-dos-outros falou que ele os amigos marcavam as brigas pela internet. Nas sextas à noite ele saía para brigar com outros caras porque é disso que ele gosta.
O tio-pai ouviu calmamente o que o sobrinho-filho tinha a dizer e respondeu: “No meu tempo de rapaz (ele não fala adolescente) nós também nos arrumávamos todas as sextas-feiras, colocávamos as melhores roupas e perfumes e saíamos à noite porém, com outro objetivo: encontrar GAROTAS, namorar. E seguiu dizendo: não pense que era tarefa fácil (como é hoje, em que as meninas andam tão fáceis que o joelho esquerdo não junta com o direito há mais de um ano). Conseguir uma boa garota para um bom papo não era coisa fácil. Se um de nós chegava ao clímax de segurar as mãos da eleita dava a noite como ganha. Beijo nem pensar. O taxista estava até sendo razoável, tentando mostrar ao sobrinho-filho-problemático que tipo de comportamento um homem de verdade deve ter, e até falando sobre o romantismo da época. Foi quando o desavisado do garoto-eu-gosto-de-levar-porrada respondeu mal e chamou o tio-pai de véio sem noção. Neste momento, a “marmita do cara azedou” e ele conheceu o lado negro da força.
Do alto de sua autoridade política e financeira o meu amigo (aí ele virou meu amigo mesmo) taxista deu um soco na mesa e mudou o discurso. Disse que não dava um duro danado para dar o melhor ao rapaz e este, nos fins de semana, ficar todo bonitinho, de roupa nova, para se encontrar com homens e ainda por cima para brigar. E disse que ia resolver o problema de uma vez só. Já que o sobrinho-filho gostava de apanhar ele mesmo se encarregaria de descer a porrada nele. E desceu avisando: toda vez que sentir vontade de brigar pode falar comigo. Com a vantagem de ser um programa barato porque o dinheirinho das roupas novas e das despesas de sexta-feira acabou ali.
Não pense que o sobrinho-filho teve problemas psicológicos, estresse pós porrada, nada disto. Teve sim, um surto de vergonha na cara e tratou de estudar porque entendeu rapidinho que fora dali ele não teria vida melhor.
Bem, Marcelo, você deve estar me perguntando o por que desta história interminável. Eu concordo com você que a mídia do nosso tempo ajuda muito na propagação da violência, isto é fato.
Todo mundo copia o que vê na televisão. Até adultos retardados copiam moda de novelas (você sabe que eu sou a única pessoa no Brasil e no mundo que não assiste novelas). Copiam roupas, sapatos, gestos, danças, hábitos e até...bordões! confesso que às vezes fico sem graça quando as pessoas falam comigo em novelês porque fica difícil entender. E quando começo a entender a novela acabou e já tem outro novelês no ar. Estou sempre out, off, por fora....
Ora, se adultos retardados são capazes de reproduzir o que vêem na televisão o que não dizer de crianças em formação de personalidade?
É óbvio que a televisão influencia e muito. Eu apenas acho que pior que a presença da televisão é a ausência dos pais (ou de quem seja responsável).
Mas quem quer??? Antes as meninas queriam ser como as mães quando crescessem. Hoje as mães querem ser como as filhas e disputam os mesmos modelitos, o mesmo linguajar, as mesmas boites e os mesmos namorados.
Os pais não querem mais descer do palco para dar vez aos filhos e vê-los brilhar. Sem figura de autoridade fica difícil, o que a gente vê é isto aí.
Pergunte aos pais da gangue de Cordovil onde estavam naquela hora ou, se pelo menos sabiam onde os filhos iriam estar. Um carro zero para quem afirmar que sabia o que o filho ira fazer.
Mãe é mãe, pai é pai e melhor amigo é melhor amigo. Não queira ser a melhor amiga (o) dos seus filhos. Queira ser a melhor mãe ou o melhor pai.
É por isto que eu acho que a solução para o que se vê por aí acontecendo a todo o momento é colocar OS PAIS dentro da cadeia. Afinal, é deles a responsabilidade civil já que os arruaceiros são menores de idade. Cadeia sem direito a fiança. Na linguagem popular. Tomar conta dos filhos ou ir para a cadeia e o Estado assumir os filhos (não há desgraça maior).
Não adianta pena de morte, não adianta matar ninguém, até porque ninguém morre na hora, não estamos na China. Só compramos produtos chineses (SAARA/RJ, 25 de março/SP) apesar de falarmos muito mal da China. Falem mal, mas comprem de mim.
As pessoas que pregam a pena de morte pensam que seria como no velho oeste: se matar morre enforcado, na hora, na árvore mais próxima. Ledo engano.
Nos EUA existem prisioneiros que estão há anos no corredor da morte comendo o dinheiro dos cofres públicos e dos Tribunais de Apelação.
Falar é fácil. Na prática o bicho pega.
Parabéns pelo texto, oportunísssimo, Marcelo, Você é o cara.
Abraços fraternos,
Virgínia Meirim